A mulher que fabrica sabonetes com o cheiro dos ex-namorados

Sissel Tolaas viaja o mundo colecionando aromas e chegou a recriar o odor da 1ª Guerra Mundial e a fabricar um queijo com bactérias da chuteira de David Beckham.

Sissel Tolaas guarda amostras dos cheiros dos ex-namorados e fez até sabonete com as fragâncias — Foto: BBC

TOPO

Por BBC   – 24/10/2020 15h03  Atualizado há 3 horas

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Sissel Tolaas guarda amostras dos cheiros dos ex-namorados e fez até sabonete com as fragâncias — Foto: BBC

Sissel Tolaas é uma artista norueguesa colecionadora de aromas. Ela viaja o mundo coletando odores, e acumula mais de 7 mil amostras, incluindo o cheiro de seus ex-namorados.

Sissel já fabricou um queijo com bactérias da chuteira do ex-jogador David Beckham. E fez muita gente passar mal recriando o odor da Primeira Guerra Mundial.

A artista, que mantém o Re_Search Lab, um laboratório de pesquisa em Berlim, na Alemanha, tem formação em química, linguística e artes visuais.

Ela desenvolve projetos tanto artísticos, quanto científicos e comerciais, seja em parceria com museus, instituições acadêmicas ou grandes empresas. Todos envolvendo comunicação olfativa.

 

“Cresci no hemisfério norte, na Noruega, onde os cheiros são bastante neutros. E sentia falta de alguma coisa. Então, decidi redescobrir o mundo tentando usar o nariz para esse fim. Já que eu não podia ir à Lua, decidi que iria pelo menos para a Europa oriental”, contou Sissel em entrevista ao programa de rádio Outlook, da BBC.

 

Um trabalho inusitado

 

Em plena Guerra Fria, ela embarcou de trem para Varsóvia, capital da Polônia. E quando saltou na estação, seu olfato capturou imediatamente o cheiro de lignito (uma variedade de carvão), repolho cozido e um tipo bem específico de material de limpeza.

“Acho que alguma empresa tinha o monopólio. Onde quer que você fosse, qualquer espaço público, esse material de limpeza era usado, você podia sentir o cheiro dele em todo o Leste Europeu”, relembra.

Ela coletou então amostras de lignito, repolho e detergente para levar para casa.

 

“Eu coleto coisas reais. Sempre viajo com luvas, sacos plásticos e todos os tipos de dispositivos analógicos. Fiz uma espécie de lata que me permite preservar essas fontes de odores, sem deixar o oxigênio entrar no recipiente, para que eu possa preservá-los ao longo do tempo”, explica.

 

Foi assim que Tolaas começou a viajar por todo o Leste Europeu e cruzar a fronteira com a bagagem repleta de itens inusitados, como lixo e poeira. Cheiros nem sempre agradáveis, é verdade.

“Se a realidade é horrível, então (o cheiro) é horrível. O que eu faço é literalmente cheirar a realidade”, diz ela.

 

Mas a artista também coleta odores corporais. “Desde 2004, tenho acesso a dispositivos que me permitem coletar pequenas moléculas que são emitidas por fontes de cheiro. Você tem um smartphone que tira fotos. Eu tenho um dispositivo semelhante e tiro fotos da realidade invisível”, compara.

 

“Neste tipo de análise, coleto as moléculas e estou interessada em quebrá-las e replicá-las em compostos químicos”, explica.