Meio Ambiente

Imagens da Terra mostram ação humana sobre o ambiente

Fotos de antes e depois fornecem perfeita noção da ação humana sobre o ambiente.

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Brasileiros transformam caixa d’água em miniusina hidrelétrica

No que depender de dois engenheiros brasileiros, você poderá usar em um futuro próximo a sua caixa d’água para gerar eletricidade para sua casa. Jorgea Marangon e Mauro Serra criaram a UGES (Unidade Geradora de Energia Sustentável), que poderia ser utilizada em qualquer caixa d’água, independente do tamanho.

Na prática, a UGES funciona como uma miniusina hidrelétrica na sua casa. O sistema usa a pressão da água que vem da rua para abastecer a caixa para geração de energia.

“Ao entrar pela tubulação para abastecer a caixa, a água que vem da rua é pressurizada pelo sistema gerador de energia, passando pela miniusina fixada e angulada na saída de água do reservatório”, explica o inventor Mauro Serra.

Os criadores, no entanto, afirmam que todo o sistema é autossustentável. Isso significa que é necessária apenas a circulação de água para geração, armazenamento e distribuição de energia. Só não é recomendável usar a energia para os aparelhos domésticos de alto consumo como secadores e chuveiros.

 

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Vazamento de 100 toneladas de água radioativa é detectado em Fukushima

Tóquio, 20 fev (EFE).- A Tokyo Electric Power (Tepco), responsável pela operação da central nuclear de Fukushima, detectou um vazamento de cerca de 100 toneladas de água radioativa em um tanque que armazena o líquido contaminado na usina, mas tudo indica que o mesmo não chegou ao mar, informou nesta quinta-feira à Agência Efe um de seus porta-vozes.

A radiação detectada na água é muito alta, já que, segundo os dados apresentados pela Tepco, foram registrados 230 milhões de becquerels por litro de substâncias emissoras de raios beta.

 

 

O vazamento, detectado na última hora de ontem, aconteceu aparentemente na montagem da tampa superior do tanque.

A operadora e proprietária da central garantiu que conseguiu interromper o fluxo de água às 5h40 locais (17h40 de Brasília da quarta-feira), cerca de seis horas depois de descobrir o vazamento.

O líquido teria escorrido até o solo através de uma calha acoplada ao tanque para evitar o acúmulo de água da chuva em sua cobertura.

No entanto, por não existirem estruturas de escoamento no local, a Tepco acredita que o líquido não conseguiu chegar até o mar.

O vazamento ocorreu novamente em um dos tanques que foram construídos rapidamente, após a explosão da crise nuclear em 2011, para armazenar a água utilizada no resfriamento dos reatores acidentados.

Para fundir as partes desses contêineres foram utilizadas resina e fixações metálicas ao invés de solda.

Em tanques deste tipo ocorreram graves vazamentos no ano passado, um dos quais obrigou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a classificar o incidente como “sério”, no nível 3 da Escala Internacional de Acidentes Nucleares.

No entanto, o porta-voz da companhia explicou à Efe que a natureza deste último vazamento parece diferir dos ocorridos em 2013.

A Tepco ainda está investigando o motivo do vazamento, enquanto os operários da central estão retirando a maior quantidade de água possível, e também a terra que ficou contaminada.

O terremoto e tsunami de 11 de março de 2011 provocou em Fukushima o pior acidente nuclear desde Chernobyl (Ucrânia), em 1986.

As emissões resultantes fizeram com que as 52 mil pessoas que residiam em torno da central tivessem que abandonar suas casas e afetaram gravemente a agricultura, a pecuária e a pesca local.

Leia mais em: http://noticias.uol.com.br/album/album-do-dia/2014/02/20/imagens-do-dia—20-de-fevereiro-de-2014.htm?abrefoto=6

Visita do professor Mazzei ao Pontal de Atafona é registrada pelo Jornal O diário de São da Barra

Diário são João da Barra Visita IFF Atafona

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Pilha ecológica que funciona ao ser mergulhada na água é lançada na Suíça

Uma pilha ecológica, fabricada sem a utilização de substâncias tóxicas, nem de metais pesados, que funciona depois de ser mergulhada na água durante alguns minutos, começará a ser vendida no mercado suíço nos próximos dias.
“Para ativar a pilha é necessário apenas submergi-la durante cinco ou dez minutos na água para fazer com que os íons positivos e negativos se misturem”, explicou Olivier Chauffat, um dos três acionistas suíços da marca que distribui a pilha.
Esta alternativa às pilhas alcalinas é fabricada com polipropileno, um plástico cuja taxa de reciclagem é de 85%, contra 50% das baterias convencionais, e é bastante leve (12-13 gramas).
A pilha ecológica, ao contrário das pilhas convencionais que começam a perder carga quando saem da fábrica, não tem voltagem e não emite eletricidade antes de ser ativada, por isso pode ser armazenada indefinidamente, garantiram os fabricantes.
Estas pilhas podem ser utilizadas em aparatos com um consumo de energia médio como rádio-relógios, walkie-talkies, lanternas com luz LED ou controles remoto, onde têm uma vida aproximada de dois anos.

No entanto, não são recomendadas para aparelhos que exigem maior fornecimento energético, como um MP3 ou uma câmera digital.
Os suíços poderão adquirir pilhas AA (as mais utilizadas) e as AAA (o modelo menor) em grandes lojas e através da internet, enquanto o resto dos países europeus terão que esperar que a bateria comece a ser comercializada no próximo ano.
“Nosso objetivo não é concorrer com outras marcas, mas oferecer uma alternativa”, disse Chauffat.
Os representantes do produto decidiram lançá-lo primeiro na Suíça devido ao caráter ecológico do país, que recicla 70% das pilhas usadas. “Do ponto de vista tecnológico e ecológico, a Suíça é um país onde nos parecia importante estar presentes”, afirmou outra acionista, Patrice Horowitz.

Esta tecnologia foi concebida pelo holandês Niels Bakker há cinco anos na China, onde a marca espera produzir entre três e cinco milhões de pilhas ecológicas por mês em 2014.

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Emissões de CO2 pode tornar oceanos 170% mais ácidos até 2100, diz estudo

Cientistas dizem acreditar que a acidificação dos oceanos irá aumentar 170% até o ano de 2100, colocando em risco a rica biodiversidade marinha, diz um novo estudo que deve ser apresentado na semana que vem na reunião da ONU sobre o Clima, que ocorre na Polônia.

Em 2012 mais de 500 especialistas em acidificação dos oceanos, vindos do mundo inteiro, se reuniram na Califórnia. Liderados pelo Programa Internacional Biosfera-Geosfera, lançado em 1987 para coordenar pesquisas na área, o grupo publicou um relatório a respeito da situação dos oceanos.

No documento, chamado de Sumário para Criadores de Políticas, os cientistas declaram “com muita confiança” que o aumento na acidez é causado pelas atividades humanas, que estão adicionando 24 milhões de toneladas de CO2 nos oceanos diariamente alterando a química da água.

Segundo os cientistas, cerca de 30% das espécies marinhas não devem sobreviver nestas novas condições, que são particularmente prejudiciais aos recifes de coral.

O mesmo estudo reforçou a estimativa de que os oceanos estão ficando mais ácidos em uma velocidade sem precedentes nos últimos 300 milhões de anos, que já havia sido divulgada no ano passado em estudo publicado na revista Science.

Velocidade de mudança

Desde o início da revolução industrial, os cientistas acreditam que as águas dos oceanos ficaram 26% mais ácidas.

“Meus colegas não encontraram nos registros geológicos de velocidades de mudança maiores do que as que vimos atualmente”, afirmou o professor Jean-Pierre Gattuso, da CNRS, a agência nacional de pesquisas da França.

O que preocupa os cientistas é o potencial de impacto destas mudanças em muitas espécies marinhas, incluindo os corais.

Pesquisas realizadas em fontes hidrotermais nas profundezas dos oceanos, nas quais as águas são naturalmente ácidas graças ao CO2, indicam que cerca de 30% da biodiversidade marinha poderá ser perdida até o fim deste século.

Os cientistas afirmam que as fontes podem ser uma “janela para o futuro”.

“Você não encontra um molusco no nível de pH esperado para o ano de 2100, e este é um fato chocante”, afirmou Gattuso.

“(As fontes hidrotermais) são uma janela imperfeita, apenas a acidez do oceano está aumentando nestes lugares, eles não refletem o aquecimento que veremos neste século. Se você combinar os dois, pode ser ainda mais dramático do que vemos nestes orifícios de CO2”, acrescentou.

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Veja as consequências do aquecimento global

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Relatório do IPCC diz que planeta já esquentou cerca de 0,8°C desde o começo do século 20. As temperaturas têm aumentado mais lentamente nos últimos 15 anos apesar do aumento nas emissões de gases do efeito estufa, mas há uma retomada da tendência de aquecimento que provavelmente vai causar ainda mais ondas de calor, secas, enchentes e elevamento do nível do mar. A previsão é de aumento de quase 5ºC até 2100 Leia mais Celso Pupo/Estadão Conteúdo

Efeitos mais graves

O efeito da acidificação atualmente está sendo observado de forma mais grave no Mar Ártico e na região da Antártida. Estas águas geladas retêm uma quantidade maior de CO2, e os crescentes níveis do gas estão acidificando estes mares mais rapidamente do que no resto do mundo.

E isto aumenta os danos a conchas e esqueletos de organismos marinhos.

Os pesquisadores afirmaram que até 2020, 10% do Ártico será um ambiente inóspito para espécies que fazem suas conchas a partir do carbonato de cálcio. Até 2100, o Ártico todo será um ambiente hostil.

De acordo com Gattuso, os efeitos da acidificação já são visíveis.

“No oceano do sul já vemos a corrosão de pterópodes, que são como caramujos marinhos. No oceano, vemos a corrosão das conchas. Eles (os pterópodes) são elementos importantes na cadeia alimentar, consumidos por peixes, aves e baleias, então, se um elemento está desaparecendo, haverá um impacto em efeito cascata na cadeia toda”, disse o cientista.

Os autores do relatório afirmam que o impacto econômico poderá ser enorme. O custo global do declínio nas populações de moluscos pode ser de US$ 130 bilhões até 2100, se as emissões de CO2 continuarem no padrão atual.

Efeito limitado

Uma possibilidade para diminuir os efeitos da acidificação seria adicionar substâncias alcalinas nas águas dos oceanos, como pedra calcária esmagada, mas, segundo Gattuso, isto teria um efeito limitado.

“Talvez em baías que tenham uma troca de água mais limitada com o mar aberto poderá funcionar, dar algum alívio local. Mas as últimas pesquisas mostram que não é prático se aplicado em escala global. É muito caro e consome muita energia”, afirmou.

Áreas de proteção marinha poderiam também melhorar a situação no curto prazo.

Mas, segundo os cientistas, no longo prazo apenas os cortes nas emissões poderiam desacelerar o avanço da acidificação.

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Principais causadores do aquecimento global14 fotos

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A poluição provocada pelos carros também é outra grande e importante fonte de gás carbônico na China. A visão dos motoristas fica bastante prejudicada pela densa poluição nessa via expressa em Pequim Leia mais Wang Zhao/AFP
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Briga entre orgânicos e transgênicos trava preservação ambiental, diz suíço

  • Rodrigo Capote/FolhapressPlaca indica cultivo de transgênicos no Centro de Tecnologia Canavieira, em Piracicaba, no interior de São Paulo. Botânico suíço defende que orgânicos e transgênicos podem conviver em harmonia no campo e, ainda, preservar o meio ambientePlaca indica cultivo de transgênicos no Centro de Tecnologia Canavieira, em Piracicaba, no interior de São Paulo. Botânico suíço defende que orgânicos e transgênicos podem conviver em harmonia no campo e, ainda, preservar o meio ambiente

A “disputa ideológica” entre os defensores da agricultura orgânica e os simpatizantes dos transgênicos emperra a preservação ambiental, defende o botânico Klaus Ammann. O pesquisador suíço afirma que a biotecnologia é uma importante ferramenta para a conservação da biodiversidade, do mesmo modo que é uma saída para a produção sustentável de alimentos.

“Os transgênicos não são uma ameaça ao meio ambiente, mas uma ferramenta para protegê-lo. Com a maior produtividade e a racionalização no uso de defensivos químicos no campo, há mais chance de preservar a biodiversidade com os OGMs” (Organismo Geneticamente Modificado).

Em visita ao Brasil no mês passado, Ammann afirmou em entrevista ao UOL que o país “tem uma atitude progressiva em relação à ciência” que o coloca em destaque no comércio internacional de produtos agrícolas. E também em posição “para ajudar os países europeus a enfrentar a crise”.

“Sendo suíço, digo que as pessoas no meu país são bastante fechadas para novos conceitos, atitude que dificulta a inovação. No Brasil, eu encontro muitas pessoas abertas ao novo, dispostas a falar de futuras perspectivas. Isso é muito positivo.” Leia, abaixo, trechos da conversa.

UOL – Qual é o futuro da biotecnologia na lavoura? Ou os avanços ainda estão restritos aos laboratórios?

Klaus Ammann – Existem ótimos exemplos de avanços, inclusive no Brasil. O novo feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, desenvolvido pela Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], já está aprovado pela CTNBio [órgão federal que analisa pedidos de novas sementes] e deve chegar ao mercado nas próximas safras. Outros países também pesquisam variedades de arroz e trigo resistentes à seca e a inundações, por exemplo. Esses transgênicos já estão em fase de testes e podem ser liberados em poucos anos.

Além disso, o arroz dourado encontra-se em um estágio avançado de aprovação nas Filipinas. O OGM (Organismo Geneticamente Modificado) ganhou este nome graças à sua cor amarelada proveniente dos altos níveis de betacaroteno, precursor da vitamina A. Esse alimento é a principal fonte de nutrientes das famílias de vários países do sudeste asiático e a carência dessa vitamina é a principal causa de cegueira em crianças. Já temos os testes de campo concluídos e outros ainda estão sendo realizados.

E a que passo estamos de produzir alimentos saborosos sem deixar de serem saudáveis? Como a ciência pode ajudar nisso?

O projeto HarvestPlus já desenvolveu vários cultivos enriquecidos com nutrientes como zinco e vitaminas que estão quase prontos para lançamento. A biotecnologia já desenvolveu diversos alimentos com maiores quantidades de nutrientes. Alguns exemplos são o feijão e sorgo enriquecidos com ferro; mandioca, batata-doce e milho enriquecidos com vitamina A; além de arroz e trigo enriquecidos com zinco. Todos esses produtos estão prestes a serem lançados e representam grande benefício para a população. Infelizmente ainda há receio, e, por conta disso, recai sobre esses alimentos um excesso de regulamentação.

Como essa produção do futuro pode ajudar a erradicar a fome mundial sem prejudicar a biodiversidade? 

Esse é, de fato, um grande desafio para a agricultura, especialmente àquela realizada com métodos pouco eficientes. Mas há vários fatores que precisam ser levados em conta. A agricultura pode ser uma ameaça à biodiversidade, seja ela transgênica ou não.

Entretanto, com a maior produtividade e a racionalização no uso de defensivos químicos conseguidos graças à adoção de transgênicos no campo, há mais chance de preservar a biodiversidade com os OGM. Assim, os transgênicos não são uma ameaça ao meio ambiente, e sim uma ferramenta para protegê-lo. Então, nós deveríamos abolir essa disputa ideológica entre agricultura orgânica e a agricultura baseada em biotecnologia. São estratégias diferentes que podem conviver juntas, desde que haja compreensão mútua sobre os seus respectivos princípios.

Não se sustenta a posição de que os transgênicos são uma ameaça à agricultura orgânica. Tampouco é aceitável classificar agricultores orgânicos como pessoas de pensamento retrógrado. O fato é que a agricultura mais produtiva e praticada em áreas menores é apenas uma das ferramentas para resolver a problemática da fome. É preciso reestruturar nossas fazendas, desenvolver estratégias cada vez mais amigáveis de interação com o meio ambiente e tornar a logística e a produção de energia mais eficientes.

Com relação à harmonização entre a agricultura biotecnológica e a preservação ambiental, em essência, eu diria que esse conceito tem como chave a priorização da biodiversidade na produção agrícola. Minha pesquisa faz uma abordagem mais abrangente desse tema.

Nessa lavoura do futuro haverá espaço para todos os cultivos, ou alguns serão banidos?

Há certamente espaço para todos os tipos de cultivos, desde que haja empenho em prol da coexistência e respeito ao conhecimento ancestral dos pequenos agricultores sobre as centenas de variedades crioulas (que têm características locais muito específicas) já existentes. Não é correto associar a expansão das culturas geneticamente modificadas à eventual redução da ocorrência dessas variedades. Eu acredito que a preservação das variedades crioulas depende de um trabalho de melhoramento genético voltado às necessidades dos agricultores que as utilizam e das localidades onde são plantadas.

Com a biotecnologia é possível introduzir também nessas variedades genes de interesse, para conferir resistência a herbicidas, pragas e, em um futuro próximo, melhorias nutricionais, resistência a estresses abióticos – como seca, solos salinos e inundações. Há espaço para todos os cultivos e todos os sistemas de produção no futuro.

O argumento da coexistência (entre cultivos convencionais e transgênicos) não ser possível já foi refutado por centenas de estudos que abordam a questão da transferência de pólen e dispersão de sementes. Enquanto se respeitar as distâncias regulamentares de plantio, não haverá problemas. A própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) não diferencia transgênicos e não-transgênicos em suas recomendações para a prática de uma agricultura sustentável. Seria tolice, portanto, barrar o uso de cultivos geneticamente modificados quanto eles têm se provado seguros.

Essa tecnologia pode melhorar, também, o desperdício de alimentos?

O desperdício de alimentos representa cerca de 15% de todo o problema, mas, sem dúvida, é relevante o bastante para que sua redução ou erradicação contribua para estratégias de combate à fome. Isso, no entanto, requer o envolvimento de diversos atores, a exemplo do setor varejista, da indústria de embalagens, da logística e dos consumidores, para a promoção de esforços conjuntos.

Na sua opinião, quais países ainda estão atrasados na questão da legislação sobre biossegurança? E como isso afeta a produção de alimentos e/ou científica mundial?

A situação é particularmente preocupante na Europa. A região tem uma legislação abrangente, moderna e voltada ao desenvolvimento de produtos e aplicações, a exemplo das legislações canadense, norte-americana e de alguns outros países. Mas, na prática, muitos países criam dificuldades à adoção da biotecnologia, o que, naturalmente, reduz os investimentos em pesquisas.

O desenvolvimento de variedades de soja e milho na Europa, por exemplo, está aproximadamente 50 anos atrasado em relação a outras partes do mundo. Isso obviamente não faz sentido. O consumidor europeu já se alimenta de produtos geneticamente modificados há anos, sem que uma única dor de cabeça tenha sido registrada. Por essa razão, alguns países como o Reino Unido consideram seriamente rever a regulamentação e priorizar a ciência.

O que você conhece da Lei de Biossegurança brasileira? O Paraná, maior produtor de milho do país, já questionou, anos atrás, a eficácia e o controle da lei nos cultivos transgênicos.

O que posso dizer é que a legislação brasileira é eficiente o bastante para possibilitar o progresso científico. Citei o feijão resistente ao mosaico dourado, desenvolvido integralmente por uma instituição pública de pesquisa, o que ilustra bem o avanço do país no que se refere à ciência e à inovação.

Poderia falar mais sobre sua visita ao país? Que papel o Brasil tem nos seus estudos?

Para mim, o Brasil tem uma atitude progressiva em relação à ciência e isso faz com que o país alcance grande sucesso no âmbito do comércio internacional. O Brasil, assim como a Índia, especificamente no mercado de algodão, é hoje um grande exportador de produtos agrícolas. E, economicamente, está em posição até de ajudar países europeus a enfrentar a crise. Essa atitude, de olhar para frente em relação à ciência, é o que eu mais admiro no seu país.

Minha visita ao Brasil nesta ocasião tem como objetivo a participação em congressos científicos. Mas adoraria um dia ter a oportunidade de realizar pesquisas científicas aqui. O Brasil é a “meca” da biodiversidade, com o maior número de espécies vegetais do mundo e valiosos ecossistemas, como a floresta Amazônica e o Cerrado, para nomear apenas alguns. A experiência mais próxima que tenho com flora tropical foi na Jamaica, onde lecionei anos atrás. Além disso, participei de um projeto para biofortificação de variedades de Sorgo na África, cujo resultado será publicado em breve num livro pela editora Springer. Mas ainda espero ter a oportunidade de pesquisar no Brasil.

Cientistas apresentaram este ano a carne produzida em laboratório. Críticos que provaram o “hambúrguer artificial” questionaram mais o preço (cerca de R$ 750 mil) do que o sabor do alimento. Como baratear o custo dos avanços da biologia molecular rapidamente?

Com toda franqueza, eu não diria que, no futuro, carne será produzida por meios moleculares. Ao que me parece, isso soa mais como um exercício de aplicação da biotecnologia do que como uma alternativa viável para a produção de alimentos. Esse tipo de pesquisa, na minha opinião, deveria ser restrita a propósitos médicos, como a produção de órgãos e tecidos. Acredito em um futuro bastante promissor para essas aplicações, desde que seriamente amparada por padrões éticos e sustentáveis.

Sobre o custo da pesquisa científica, graças à evolução tecnológica, temos assistido a uma redução drástica nos custos de novos desenvolvimentos em biotecnologia. Como exemplo, o sequenciamento de genomas, que no início levava anos para ser concluído e era muito caro, hoje demanda alguns dias e já está bem mais barato. Em um futuro próximo, talvez esse mapeamento leve ainda menos tempo e custe menos. Os métodos de transferência de genes também estão cada vez mais baratos e precisos. Isso, com certeza, vai levar a novas descobertas, com uma velocidade cada vez maior e à consequente redução de custos.

Será possível cruzar células vegetais com a de animais, ou isso só vai figurar entre as lendárias brincadeiras científicas?

A brincadeira do “boimate” feita por uma revista científica na década de 1980 foi importante para chamar a atenção das pessoas para temas complexos como melhoramento genético e a biologia molecular. Há ainda muitas pessoas que acreditam que os alimentos não transgênicos não possuem genes, por exemplo.

Pode levar algum tempo até que a sociedade confie plenamente na biotecnologia, assim como foi difícil no início para as pessoas confiarem em automóveis, fornos de micro-ondas e até nos celulares, equipamentos sem os quais não sabemos mais viver. Porém, com a biotecnologia, não se trata de usá-la, mas sim de ingeri-la, torná-la parte da alimentação.

Alguns críticos aos OGM dizem que as alterações genéticas dos alimentos podem ser absorvidas por mamíferos, passando a regular o organismo do animal. 

Este argumento não tem nenhum sentido. Há milhares de anos nos alimentamos de plantas e animais sem que, contudo, nossos corpos tenham sido afetados pelo DNA contido neles. E não importa se o DNA provém de um organismo convencional ou de um geneticamente modificado, nosso corpo tem uma série de mecanismos para não ser afetado por nenhum dos tipos de DNA que ingerimos diariamente.

As pesquisas que insinuam o contrário não são aceitas pela comunidade científica internacional. O polêmico estudo canadense de Aris (que relaciona risco fetal ao consumo de transgênicos) sobre os efeitos das toxinas Bt no sangue humano foi baseado em métodos de análise incorretos.

Outro grande escândalo foi o caso Séralini. O cientista francês ainda não publicou os dados originais do estudo que relaciona o consumo de transgênicos ao surgimento de tumores em ratos. Aliás, os ratos em questão são de uma espécie que naturalmente desenvolve tumores em 70% a 80% dos casos, independentemente de sua alimentação. Os dois estudos são rejeitados por praticamente todos os cientistas moleculares do mundo.

Infelizmente é recorrente que opositores à biotecnologia tropecem em conclusões precipitadas. Entidades como a OMS (Organização Mundial da Saúde), a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e a Academia de Ciências do Vaticano, entre outras, já se manifestaram em apoio aos alimentos geneticamente modificados, alegando que eles são tão seguros quanto suas variedades convencionais.

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Fertilizante verde

Produto feito à base de bactérias naturais da cana-de-açúcar promove maior crescimento da lavoura e reduz uso de fertilizantes químicos, o que gera benefícios para os agricultores e o meio ambiente.

Fertilizante verde

Biofertilizante produzido a partir de bactérias presentes na cana-de-açúcar promete melhorar a produção brasileira dessas plantações, hoje a maior do mundo. (foto: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo/ Flickr – CC BY 2.0)

O Brasil se consagra como o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com 426 milhões de toneladas por ano, e é responsável por mais da metade do açúcar refinado comercializado no mundo, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Para atingir o patamar de produção esperado, a cana-de-açúcar necessita de doses crescentes de fertilizante nitrogenado.

Pensando em melhorar os resultados dessas plantações, a agrônoma Verônica Reis, do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), desenvolveu um biofertilizante a partir das bactérias que fazem a captação de nitrogênio do ar e o transferem para a planta. O uso do produto pode minimizar o emprego de fertilizantes nitrogenados.

A novidade do produto está na mistura de cinco bactérias de espécies diferentes, todas obtidas a partir da própria planta. “No Brasil, já se usam bactérias fixadoras de nitrogênio com essa finalidade, mas de maneira isolada”, afirma Reis. “Foi a partir de estudos com as combinações dos microrganismos que verificamos a eficiência de unir cinco estirpes diferentes”, revela.

Estudos mostraram um aumento médio geral de 14% na produção das lavouras que levaram uma dose do biofertilizante

Os pesquisadores testam diferentes bactérias fixadoras de nitrogênio desde a década de 1990. A combinação deGluconacetobacter diazotrophicus,Herbaspirillum seropedicaeHerbaspirillum rubrisubalbicansAzospirillum amazonense eBurkholderia tropica foi a que se mostrou mais eficaz.

Reis explica que o processo de produção do biofertilizante é bastante simples: “as bactérias são isoladas da própria cana e multiplicadas em meios de cultivo em laboratório”. Para a aplicação, as cinco espécies são misturadas em água. A inoculação do produto deve ser feita no plantio da cana e após cada corte.

Segundo a agrônoma, estudos mostraram um aumento médio geral de 14% na produção das lavouras que levaram uma dose do fertilizante em comparação com plantações que não receberam o produto. “As plantas germinam mais rápido, acumulam biomassa mais cedo e suas raízes são estimuladas a crescer mais depressa”, garante.

Cana-de-açúcar com e sem biofertilizante
O uso do novo biofertilizante promove maior crescimento da raiz, das folhas e do caule da cana-de-açúcar em comparação com a aplicação de nitrogênio ao solo. (fotos: Willian Pereira e Renan Pedula Oliveira)

Os resultados prometem aos agricultores uma economia anual de 30 quilos de nitrogênio (normalmente usado nas lavouras para acelerar o processo de crescimento) e 50 mil toneladas de fertilizantes químicos (que podem ser danosos ao meio ambiente).

Mas ainda não há previsão para a comercialização do novo fertilizante. Para chegar ao mercado, o produto ainda precisa passar por testes industriais e ser aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Os testes demoram, mas são necessários para se obter um produto que realmente faça a diferença”, conclui.

Por: Camille Dornelles

Publicado em 04/11/2013 | Atualizado em 04/11/2013

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Roupa ecológica “come” poluição do ar

Uma substância desenvolvida na Universidade de Sheffield, no Reino Unido, transforma as roupas em peças que acabam com a poluição. O produto, chamado Catclo, adere às fibras da roupa durante a lavagem. Em seguida, reage com a luz para neutralizar os gases que causam danos ao meio ambiente.

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Mundo pode esquentar 4º C, diz relatório

Estudo encomendado pelo Banco Mundial afirma que, sem ação dos países, aumento ocorreria por volta de 2060

Mudança teria efeitos sérios sobre chuvas e vida marinha; para cética, previsão é apenas “um cenário”

FERNANDO MORAES COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Se o mundo ficar de braços cruzados, um aumento de até 4º C na temperatura média do planeta pode ocorrer até o ano de 2060, afirma um novo relatório encomendado pelo Banco Mundial.

Segundo o estudo, mesmo que as reduções de gases do efeito estufa definidas nas recentes cúpulas do clima sejam implementadas, há cerca de 20% de chance de que esse aumento de temperatura ocorra até o fim do século.

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ECO – FUSCA  => Mecânico do Amazonas transforma Fusca em carro elétrico

Da ficção para a realidade, os carros elétricos aos poucos deverão conquistar o mercado de veículos mundo à fora. Entretanto, o que ninguém imagina é que em Manaus, o mecânico Alex Lopes Soares, 41, já desfila pelas ruas da cidade, em um simpático Fusca prateado – ano 86 -, com motor, conversor e baterias adaptados.

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Crédito de Carbono – O que é isso?

Créditos de Carbono são certificados que autorizam o direito de poluir.

O princípio é simples. As agências de proteção ambiental reguladoras emitem certificados autorizando emissões de toneladas de dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros gases poluentes.

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O Efeito Estufa

Ter, 14/10/2008 – 13:34

Esquema simplificado do Efeito Estufa / Fonte: http://www.ich.pucminas.br

A idéia inicial sobre o efeito estufa ocorreu em 1827 com Joseph Fourier, e recebeu grandes contribuições para sua formulação através dos trabalhos de John Tyndall (1859) e Svante Arrhenius (1896). Ele pode ser entendido através de uma situação muito comum: o ar no interior de um carro exposto ao sol é extremamente quente, parecendo ter saído de um forno. Todos que já foram à praia em um dia ensolarado puderam perceber isto ao voltar para seu carro na hora de ir embora!! Isso acontece porque os raios de sol penetram no carro pelo vidro, aquecendo o ar e a estrutura interna, como os bancos. Estes, por sua vez, ao serem aquecidos, liberarão energia na forma de calor (radiação infravermelha). O calor, na forma de radiação, não consegue passar pelo vidro, o que aumenta a temperatura interna do veículo.
No nosso planeta, o gás carbônico (CO₂) e o vapor d’água, bem como outros gases, formam uma camada de ar que desempenha a função do vidro. Ela permite a passagem dos raios solares, que aquecem a superfície terrestre, mas impede a saída de parte do calor gerado, resultando em um aumento da temperatura do planeta. O efeito estufa, fruto deste “aprisionamento” de radiação infravermelha, é um fenômeno natural do ambiente da Terra, sendo um dos responsáveis por manter a temperatura do planeta em um padrão que permitiu a existência de vida tal qual nós conhecemos.
No entanto, a partir da Revolução Industrial, na 2ª metade do século XVIII, as emissões de gás carbônico entraram em franca expansão, graças ao desenvolvimento das indústrias e da necessidade de geração de energia, processos em grande parte baseados na queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo. Ao serem queimados, estes combustíveis liberam gás carbônico e outros gases (metano, óxido nitroso), responsáveis pela intensificação do efeito estufa. Quanto maior a concentração destes gases na atmosfera, maior a elevação da temperatura da Terra. É como se o vidro do carro fosse ficando cada vez mais espesso, retendo cada vez mais energia na forma de calor.

QUÍMICA NA ÁGUA

A água é um recurso fundamental para a existência da vida, na forma que nós conhecemos. Foi na água que a vida floresceu, e seria difícil imaginar a existência de qualquer forma de vida na ausência deste recurso vital. Nosso planeta está inundado d’água; um volume de aproximadamente 1,4 bilhão de km3 cobre cerca de 71% da superfície da Terra.

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